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O Caso dos Exploradores de Cavernas

Lon L. Fuller
Lon L. Fuller

O livro O Caso dos Exploradores de Cavernas (1949), de Lon L. Fuller, é um caso fictício que apresenta um julgamento hipotético nos Estados Unidos. Ele discute questões jurídicas e filosóficas sobre direito e moral. O caso envolve cinco exploradores que ficaram presos em uma caverna e, sem recursos para sobreviver, decidiram sortear um deles para ser sacrificado e servir de alimento aos outros. Quando resgatados, foram acusados de homicídio.

A Suprema Corte do país deve decidir se os sobreviventes devem ser condenados à pena de morte, conforme a lei vigente. Os cinco juízes do tribunal apresentam votos diferentes, cada um baseado em uma visão jurídica distinta:


1.     Juiz Truepenny (Formalismo Jurídico)

-   Considera que os exploradores violaram a lei ao cometer homicídio.

-   Defende que a corte deve aplicar a lei como está escrita, condenando-os à morte.

-   No entanto, sugere que o chefe do Executivo conceda um perdão ou comute a pena, pois considera que a punição seria excessivamente severa.


2.    Juiz Foster (Direito Natural)

-   Argumenta que as leis do Estado não se aplicam à situação, pois os exploradores estavam fora da sociedade e suas normas.

-   Defende que eles criaram suas próprias regras para sobreviver, baseadas em um contrato social implícito.

-   Propõe que sejam absolvidos, pois agiram racionalmente dentro de sua situação extrema.


3.    Juiz Tatting (Indecisão e Conflito Jurídico)

-   Mostra-se dividido entre a necessidade de seguir a lei e a consideração das circunstâncias excepcionais do caso.

-   Encontra contradições na aplicação do direito natural e no positivismo jurídico.

-   Conclui que não consegue tomar uma decisão e se abstém de votar.

    

4.   Juiz Keen (Positivismo Jurídico)

-   Defende que a única função dos juízes é aplicar a lei, sem considerações morais ou emocionais.

-   Afirma que, segundo a lei, os exploradores cometeram homicídio e devem ser condenados.

-   Critica Truepenny por sugerir que o Executivo intervenha, pois considera isso uma questão política, não jurídica.


5.    Juiz Handy (Realismo Jurídico)

-   Argumenta que a decisão deve considerar a opinião pública e o senso comum.

-   Afirma que a população considera os exploradores inocentes e que condená-los à morte seria injusto e inaceitável.

-   Defende que a Corte deve absolver os réus, levando em conta fatores sociais e pragmáticos.




No final, o tribunal empata com dois votos a favor da condenação, dois pela absolvição e um juiz que se abstém. Isso significa que a decisão da corte inferior (pena de morte) é mantida.

O livro é amplamente estudado no Direito porque apresenta diferentes correntes do pensamento jurídico, estimulando debates sobre como as leis devem ser interpretadas e aplicadas.

 

 
 
 

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