O Caso dos Exploradores de Cavernas
- Marcos Vinicios de Jesus Morais

- 3 de mar. de 2025
- 2 min de leitura

O livro O Caso dos Exploradores de Cavernas (1949), de Lon L. Fuller, é um caso fictício que apresenta um julgamento hipotético nos Estados Unidos. Ele discute questões jurídicas e filosóficas sobre direito e moral. O caso envolve cinco exploradores que ficaram presos em uma caverna e, sem recursos para sobreviver, decidiram sortear um deles para ser sacrificado e servir de alimento aos outros. Quando resgatados, foram acusados de homicídio.
A Suprema Corte do país deve decidir se os sobreviventes devem ser condenados à pena de morte, conforme a lei vigente. Os cinco juízes do tribunal apresentam votos diferentes, cada um baseado em uma visão jurídica distinta:
1. Juiz Truepenny (Formalismo Jurídico)
- Considera que os exploradores violaram a lei ao cometer homicídio.
- Defende que a corte deve aplicar a lei como está escrita, condenando-os à morte.
- No entanto, sugere que o chefe do Executivo conceda um perdão ou comute a pena, pois considera que a punição seria excessivamente severa.
2. Juiz Foster (Direito Natural)
- Argumenta que as leis do Estado não se aplicam à situação, pois os exploradores estavam fora da sociedade e suas normas.
- Defende que eles criaram suas próprias regras para sobreviver, baseadas em um contrato social implícito.
- Propõe que sejam absolvidos, pois agiram racionalmente dentro de sua situação extrema.
3. Juiz Tatting (Indecisão e Conflito Jurídico)
- Mostra-se dividido entre a necessidade de seguir a lei e a consideração das circunstâncias excepcionais do caso.
- Encontra contradições na aplicação do direito natural e no positivismo jurídico.
- Conclui que não consegue tomar uma decisão e se abstém de votar.
4. Juiz Keen (Positivismo Jurídico)
- Defende que a única função dos juízes é aplicar a lei, sem considerações morais ou emocionais.
- Afirma que, segundo a lei, os exploradores cometeram homicídio e devem ser condenados.
- Critica Truepenny por sugerir que o Executivo intervenha, pois considera isso uma questão política, não jurídica.
5. Juiz Handy (Realismo Jurídico)
- Argumenta que a decisão deve considerar a opinião pública e o senso comum.
- Afirma que a população considera os exploradores inocentes e que condená-los à morte seria injusto e inaceitável.
- Defende que a Corte deve absolver os réus, levando em conta fatores sociais e pragmáticos.
No final, o tribunal empata com dois votos a favor da condenação, dois pela absolvição e um juiz que se abstém. Isso significa que a decisão da corte inferior (pena de morte) é mantida.
O livro é amplamente estudado no Direito porque apresenta diferentes correntes do pensamento jurídico, estimulando debates sobre como as leis devem ser interpretadas e aplicadas.





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