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Primeiras Impressões de um Sonho Chamado Direito


Por Japão, Viela 17


No meio de 140 cabeças pensantes, sonhadoras, lutadoras, encontrei um pedaço de mim.

Aliás, mais que isso uma descoberta: parte sonho antigo, parte força viva da minha maior referência na advocacia e na vida, minha esposa, Daniela Mara.

Alias! Previdenciarista de primeira, guerreira de alma nobre, me inspira todos os dias a seguir nessa missão e minha mãe Dona Ercilia claro, que todo dia me liga para perguntar como estou me saindo.

Além disso, poder usar o anel falso que meu finado pai carregava consigo, que tinha uma pedra de Rubi falsa que para ele simbolizava a advocacia na qual ele era fiel e fã e que mesmo não estando aqui em corpo e alma, ele irá se orgulhar de ver seu filho conquistando um posto real e um anel de verdade.

Comecei o curso de Direito com o coração inquieto e o propósito firme.

Não é fácil.

Ninguém disse que seria.

Mas nada na minha vida foi e será pois estou lutando para mudar o jogo.

Saí de engraxate num prostíbulo nos anos 70.

Fui promovido a vigia de carro em boate de playboy arrogante nos anos 80.

Depois, virei borracheiro.

Vendedor de chocolate na Rodoviária do Plano Piloto.

Office boy.

Chefe de faturamento em empresa falida...

Até que o Rap me achou. Ou melhor: eu achei minha voz dentro dele.

Agora, no sistema acadêmico, encaro uma nova selva: uma avalanche de textos, doutrinas, jurisprudências e noites mal dormidas.

Mas eu sei lidar com ansiedade pois já fui treinado pelo melhor professor, a vida.

Estudo num modelo híbrido: três dias presenciais, com ar-condicionado no talo que deixa a sala um verdadeiro frigorífico e barulho chato de microfonia, e dois dias online, numa plataforma mais chata e complicada que sistema público em dia de pagamento.

Mas a vontade muleke, é quente.

É pulsante.

Mesmo cansado, tô feliz.

Mesmo sobrecarregado, tô realizado.

Porque quando a gente sabe o porquê de estar num lugar, o peso vira preparo.

Não é sobre diploma.

É sobre missão.

Naquela sala cheia, vejo mundos diferentes tentando caber num mesmo sonho.

Cada um com sua quebrada, seu corre, sua fome de justiça.

Talvez meia dúzia ali tenha herança no nome, mas a maioria carrega a esperança no peito.

Gente que quer mudar de vida, ou quem sabe, tipo eu, mudar o mundo.

E no meio de tudo isso, shows, viagens, gravações surgiu também o convite pra um longa-metragem.

Vou interpretar um pai trabalhador em uma distribuidora, (meu pai tinha um boteco) tentando manter o filho nos “trilhos da vida” (assim como ele tentou), evitando que seu filho caia no mundo do Rap...(Ri aí, que o paradoxo é forte, eu sei. kkkk)

Mas tô preparado. De verdade, a entrega vai ser letal.

A agenda tá corrida, puxada e pesada.

Mas essa carcaça de quase 54 anos ainda aguenta o baque que a vida dá.

Sou duro na queda.

A vida me ensinou que quem vive de propósito encontra força onde o cansaço queria estacionar.

O Direito que eu estudo não é pra refletir status.

É pra corrigir injustiça.

Pra dar voz aos silenciados.

Pra enfrentar o sistema e desmontar opressão.

É por justiça social.

É por nós.

Se você tá começando agora, ou se tá na beira de desistir, escuta aqui: lembra do brilho nos olhos no primeiro dia, lembre do que te trouxe até aqui.

Lembra que tem gente esperando tua vitória pra acreditar na própria.

E lembra também que vão ter aqueles que vão querer se destacar em cima do teu desconhecimento.

Mas propósito é raiz.

E raiz não se arranca fácil.

Tô só começando a caminhada, mas já entendi: Estudar Direito é lutar com palavras, sim! Mas também com a presença, com postura, com convicção.

E pra quem, como eu, não aceita ver injustiça sendo servida como regra, e nem aguenta ver alguém de topete batido pisar no meu terreiro sem licença, aviso logo: tô no lugar certo.

Vão ter que me engolir.

Ou então; caso vendo de chororô, sugiro que recorram à instância superior da minha consciência, que ai a chapa vai esquentar de vez.

Porque isso tudo é...

Transformar indignação em ação.

É sair da margem, da zona de conforto e ocupar o centro da decisão.

Então sigo firme.

Na tela, no caderno, ou no caos da sala cheia.

Cansado, sim.

Mas consciente.

Porque quem tem propósito…

Não desiste.

Insiste.

Resiste.

E vence.

Pronto! Falei.

 
 
 

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